




Buggy traz visual descolado e preocupação ecológica a bordo
A Fiat diz que os paralamas e o capô lembram o perfil de um pássaro. Quem o vê pela primeira vez aprova a cor verde cítrico e a aparência de topa-tudo. “A ideia foi criar um buggy com mecânica Fiat que tivesse preocupação ecológica”, esclarece Manuel Alexandre Ferreira, designer responsável pelo projeto. Na intimidade, o que o conceito FCC II revela? Para saber isso, fomos ao kartódromo Aldeia da Serra, em Barueri, SP, conferir todos os seus detalhes.
O primeiro desafio é entrar no FCC. Apesar dos meus quase 1,90 m de altura, admito que encontrei certa dificuldade em "escalá-lo", já que não há nenhum estribo ou qualquer tipo de apoio. O banco acomoda bem, embora a falta de regulagens o impeça de servir bem todas as estaturas. Na espuma dos assentos, aliás, está uma das tecnologias alardeadas pela Fiat: cerca de 30% de sua composição provém de poliol de óleo de soja reciclado, o que diminui a quantidade de derivados de petróleo empregados em sua confecção. Nos modelos de série, o nível já chega a 5%.
As três voltas que demos a bordo do FCC II não foram suficientes para tecer grandes impressões acerca de seu comportamento, uma vez que chegamos a pouco mais de 70 km/h, longe da máxima de 120 km/h (limitada eletronicamente). Mesmo assim, os 59 kW (80,2 cv) de potência e o torque de 22,9 kgfm (100% disponível a qualquer “rotação”) empurram o buggy com razoável facilidade nas retas, situação em que os justos 980 kg de peso total também ajudam. A autonomia das 93 baterias de íons de lítio responsáveis por movimentar o motor (distribuídas entre a dianteira e traseira) é de 100 km, e o carregamento completo leva 8 horas, por meio de uma tomada doméstica de 220V.
A transmissão Dualogic, a mesma utilizada no Linea e no Stilo, foi movida para o painel central, e as opções Neutro, Drive e Ré, as únicas disponíveis, são acionadas por botões. Além deles, também estão inclusos no sistema o acionamento do pisca-alerta e o bloqueio eletromecânico ELD (Eletronic Locker Differencial), já que a Fiat também previu o uso off-road (ainda que light) do modelo. O FCC sai de terceira e não há troca de marchas. "Quando o ELD é ativado, todavia, o Dualogic reduz para segunda", diz Toshi Noce, engenheiro de produto da Fiat.
Um detalhe que pode prejudicar o divertimento é a direção, um pouco dura em certas manobras. Segundo Noce, a montadora cogitou o emprego de um sistema de direção hidráulica. Na hora de bater o martelo, o despojamento que a “filosofia buggy de ser” prega prevaleceu. Outro ponto negativo é o acionamento do freio de mão: a estrutura do componente, por assim dizer, vem junto quando o puxamos. Ok, o FCC é um conceito, mas confesso que achei que tinha estragado o “brinquedinho”.
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